Fonte da Notícia: Folha de São Paulo
Na última década, o número de pessoas autorizadas a dirigir um caminhão caiu 62,89% no país, segundo o Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). Entre os motoristas com CNH (Carteira Nacional de Habilitação) da “categoria C”, eram 3.582.685 condutores habilitados em 2014, ante 1.329.455 no ano passado.
Nem todos os habilitados na categoria C (veículos de carga total superior a 3.500 kg) atuam como caminhoneiros e há outras categorias que também podem prestar determinados serviços em rodovias. Mas a redução na categoria C corrobora o que setores que dependem das estradas já têm observado no dia a dia: está faltando caminhoneiro no país.
“Tem caminhões parados por falta de motorista. Todas as empresas de transporte hoje têm vagas. Há o equipamento, mas não o piloto. E as empresas acabam perdendo contratos”, diz Delmar Albarello, presidente do Setcergs (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do Rio Grande do Sul).
“Vai dificultando cada vez mais, ano a ano. E a idade média de motorista hoje é extremamente preocupante”, afirma ele.
A rejeição à profissão está ligada a uma lista de fatores, da falta de infraestrutura adequada de apoio ao motorista na estrada e o medo de assaltos até o valor do frete. Na mesma pesquisa, 35% dos motoristas entrevistados dizem que a chamada Lei do Piso Mínimo de Frete (Lei 13.703/2018) “nunca é respeitada” nas negociações. Outros 33% afirmam que ela “raramente é respeitada”.
A lei que estabelece um valor mínimo de frete atrelado a uma tabela de custos vem na esteira da grande greve de caminhoneiros em 2018. “Foi uma vitória da categoria, negociada com o governo Michel Temer, mas há empresas que ainda não cumprem nem o piso para pagar o custo”, afirma Medeiros, ao acrescentar que “ao menos a fiscalização da ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] tem se intensificado desde o início do ano”.
A lei está sendo questionada no STF (Supremo Tribunal Federal) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), mas o caso, nas mãos do ministro Luiz Fux, ainda não foi julgado.