A China descobre o Maranhão e vai investir lá

Em seminário que reuniu investidores nacionais e estrangeiros, diretor chinês da Nova Rota da Seda revela as áreas de interesse do seu país, incluindo o Porto de Itaqui

Decidiu o governo do Estado do Maranhão atalhar a Nova Rota da Seda, um programa de maciço investimento que a China está empreendendo em vários países, incluindo o Brasil.

Chefiada pelo engenheiro José Reinaldo Tavares, que foi ministro dos Transportes no governo do presidente José Sarney, a Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos do Maranhão promoveu na semana passada o seminário internacional “As Potencialidades do Maranhão na Nova Rota da Seda a China: Oportunidades de Negócios e de Desenvolvimento para o Brasil”.

Do evento participou ninguém menos do que Paul Lee, diretor do Belt and Road Initiative (BRI) e professor da Universidade chinesa de Zheijiang, que, no documento final divulgado após o seminário, deixou registrado, de próprio punho, as recomendações estratégicas para a consolidação da parceria do Maranhão com a China.

De 2013 até este ano de 2022, já foram ou estão sendo implementados 700 projetos de infraestrutura com financiamento do governo da China em 100 países incluídos na Rota da Seda.

Entre esses projetos estratégicos está o maranhense Porto de Itaqui, inserido na nova Rota da Seda Marítima.

Por que Itaqui? Porque o porto, localizado em São Luís, tem profundidade suficiente para receber os maiores navios do mundo, inclusive os Chinamax, que transportam cargas a granel na nova MSR (Rota de Navegação Marítima). É de Itaqui que sai o minério de ferro que a Vale manda para a China.

Mas não é só isso: o chinês Paul Lee cita o que chama de “recursos naturais e agrícolas abundantes”, como grãos, minério de ferro, cobre, manganês, bauxita, alumínio, petróleo e gás.

A China foca seus objetivos em cinco questões de segurança: energia, alimentos, matérias-primas, tecnologia central e segurança das cadeias de suprimentos globais.

“O Maranhão pode não apenas contribuir para o atendimento das questões de segurança da China, mas também usufruir das vantagens e benefícios para o desenvolvimento econômico do Estado do Maranhão ao aderir ao BRI”, observou Paul Lee.

Uma recomendação do chinês foi a seguinte: “Tendo reconhecido a política verde da China, o Maranhão deve abordar as questões de sustentabilidade ambiental no transporte multimodal, logística, cadeias de suprimento de mercadorias de exportação do Brasil para a China.”

E mais: “Recomendo ao Maranhão que investigue os mecanismos logísticos de todos os recursos para identificar eventuais problemas de gargalo e a procura de financiamento necessário para os resolver”.

Paul Lee acrescentou um parágrafo eminentemente político, que, pelo inusitado, esta coluna publica e que é o seguinte:

“Confirmei que este Estado (o Maranhão) tem uma figura histórica, sua excelência o ex-presidente José Sarney, que foi o 30º presidente do Brasil e que conheceu um líder chinês, o falecido senhor Deng Xiaoping. Tendo considerado a história do Partido Comunista da China (PCC), o Maranhão deve planejar um evento bem-organizado para apresentar sua excelência Sarney aos líderes chineses em Pequim, através da Embaixada da China no Brasil. O Maranhão deve utilizar o BRICS para atrair investidores chineses.”

No final, foram conhecidos e divulgados os projetos de infraestrutura de interesse para financiamento ou investimento dos chineses. São os seguintes:

Porto de Alcântara; Autorização para a construção de estrada de ferro ligando o Porto de Alcântara a Açailândia; Execução de Projetos de Energias Renováveis fotovoltaica, biomassa, eólica, Hidrogênio Verde e Amônia e fertilizantes; Usinas de dessalinização para Hidrogênio Verde; Projetos de Créditos de Carbono; Gasodutos; Terminal GNL (Gás Natural Liquefeito); Exploração da Margem Equatorial brasileira, com reservas estimadas em 20 a 30 bilhões de barris de petróleo.

Como se vê, os chineses descobriram as riquezas maranhenses e suas potencialidades e, agora, correm atrás delas, oferecendo-se como sócios e financiadores.

A Nova Rota da Seda é o nome com o qual a China batiza seus grandes investimentos em países e em áreas de seu interesse estratégico, principalmente em grãos (soja e milho), fibras (algodão), proteínas (carnes de bovinos, suínos e aves) e minérios.

O que temos no Ceará de interesse dos chineses são dádivas da natureza – o vento e o sol, matérias primas para a produção de energia renovável utilizada na produção do Hidrogênio Verde. E temos, ainda, um Porto pelo qual pode sair, em forma de amônia, todo o novo combustível que o futuro Hub do H2v do Pecém poderá produzir.

Por enquanto, tudo é ainda uma benfazeja expectativa, tanto no Maranhão quanto no Ceará.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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