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Reajuste do frete deve chegar de forma integral aos consumidores cearenses

A nova tabela de fretes teve reajustes que variam de 4,54% a 5,90%

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou na última quinta-feira (21) a nova tabela de preços dos fretes, que prevê reajustes entre 4,54% e 5,90% a depender do tipo de veículo e classe de carga.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do Ceará (Setcarce) e presidente da Câmara de Logística da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Marcelo Maranhão, esse impacto pode chegar de forma integral aos consumidores, com aumento no custo dos produtos.

Segundo Maranhão, nem todos os setores repassarão os novos custos dos fretes ao consumidor, mas as empresas podem passar integralmente o aumento nas despesas em itens que tenham maior valor agregado.

REAJUSTE NO PREÇO DOS FRETES

A tabela de preços de fretes foi atualizada devido ao aumento no preço dos combustíveis, conforme prevê a legislação. Por lei, sempre que a oscilação no preço do óleo diesel no mercado nacional for superior a 10%, o órgão precisa publicar nova norma com pisos mínimos.

O menor reajuste médio realizado pela agência foi relativo à tabela de transporte rodoviário de carga lotação, de 4,54%. As operações em que haja contratação apenas do veículo automotor de cargas estão em seguida, com alteração média de 5,10%.

A terceira tabela, de transporte rodoviário de carga lotação de alto desempenho, sofreu reajuste médio de 5,36%. Por fim, a de operações em que haja contratação apenas do veículo automotor de cargas de alto desempenho teve o maior reajuste, de em média em 5,90%.

Conforme o presidente do Setcarce, o reajuste atual já é defasado tendo em vista os aumentos dos combustíveis.

“Quando sai o reajuste eles fecham em uma determinada data e vão trabalhar os reajustes. Acontece que o aumento dos combustíveis está tendo uma frequência muito grande e quando estavam fazendo esses cálculos teve um novo aumento de combustíveis. É realmente muito complexo”, explica.

Ele afirma que a atualização da tabela é necessária tendo em vista o aumento nos custos de operações dos caminhoneiros e empresas de logística, seja devido à alta dos combustíveis ou de ferramentas, como pneus e peças de veículos. Quem sofre mais com isso são as pequenas empresas e os caminhoneiros autônomos.

“A grande empresa é movida por contratos que preveem cláusulas de reajustes. Já o pequeno empresário e o autônomo não têm essa possibilidade de negociação. Tem que pagar o preço da bomba no dia, se subiu hoje, hoje ele já está pagando mais caro”

MARCELO MARANHÃO
presidente da Setcarce

IMPACTO NO CONSUMIDOR

Marcelo Maranhão explica que o impacto da nova tabela para o consumidor depende do tipo de produto. Segundo ele, é difícil prever em que grau a alta chegará às prateleiras já que as empresas atualmente encontram dificuldade em repassar aumento nos custos tendo em vista o valor já alto dos produtos nos mercados.

“Grande parte disso vai ser repassado, mas não está sendo repassado integralmente apesar de a gente ver um grande reajuste em determinados produtos como carne, gêneros alimentícios, peças de veículos. Tem uma parte que não é repassada por conta da queda no consumo. Mas uma parte com certeza será repassada”, destaca.

Ele considera que o impacto deve ser sentido sobretudo em bens de primeira necessidade, cujo aumento nos preços não impacta o consumo de forma tão significativa. Essa alta, contudo, não deve ocorrer levando em conta todo o reajuste da ANTT.

REDUÇÃO DE PREÇOS

O Índice FreteBras do Preço do Frete (IFPF) percebeu uma redução de 6,63% nos preços dos fretes no Ceará em agosto, comparado a julho. Os dados consideram os usuários da Fretebras, que conecta uma base de 14 mil empresas com 600 mil caminhoneiros.

O diretor de Operações da FreteBras, Bruno Hacad, percebe que a redução nos preços ocorreu devido a uma questão de oferta e demanda, já que o estado teve uma queda de 12% no volume de fretes em agosto comparado ao mês anterior.

Apesar da queda em agosto, a plataforma espera uma estabilização dos preços no último trimestre deste ano. Com relação à nova tabela da ANTT, Bruno recomenda que os usuários avaliem os custos para negociar os melhores preços de frete.

“Nós sabemos o quanto um reajuste pode fazer a diferença. Na FreteBras, nós encorajamos os caminhoneiros a sempre calcularem o custo que terão para uma determinada viagem antes de negociar, para não rodar no prejuízo”, diz.

Fonte: Diário do Nordeste

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